Governo Lula tem 50% de desaprovação, diz Indexa
Pesquisa Indexa mostra 50% de desaprovação e 46% de aprovação do governo Lula. Veja avaliação, metodologia, margem de erro e evolução dos dados.
Indexa: 50% desaprovam governo Lula; 46% aprovam
A administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é desaprovada por 50% dos eleitores e aprovada por 46%, segundo pesquisa nacional do instituto Indexa divulgada nesta quarta-feira, 26 de agosto de 2026. Outros 4% não souberam responder ou preferiram não opinar.
O levantamento mostra uma diferença numérica de quatro pontos percentuais entre desaprovação e aprovação do governo Lula. Entretanto, o resultado precisa ser interpretado considerando a margem de erro de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos.
A pesquisa ouviu 2 mil eleitores por telefone entre os dias 20 e 23 de agosto. O nível de confiança informado é de 95%. O estudo foi realizado com recursos do próprio instituto e registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-06366/2026.
Além da pergunta sobre aprovação, a Indexa solicitou que os entrevistados classificassem a gestão. Para 43%, o desempenho é ruim ou péssimo, enquanto 35% consideram o governo bom ou ótimo. Outros 19% responderam regular, e 3% não souberam ou não opinaram.
Os dois indicadores são relacionados, mas não são equivalentes. Uma pessoa pode considerar um governo “regular” e, ainda assim, aprová-lo ou desaprová-lo quando precisa escolher entre apenas duas alternativas. Por esse motivo, os percentuais não devem ser somados ou comparados como se representassem exatamente a mesma pergunta.
Principais números da pesquisa Indexa
O levantamento apresenta dois retratos diferentes sobre o governo Lula: aprovação da maneira de administrar e avaliação por categorias.
Aprovação e desaprovação
| Resposta | Percentual |
|---|---|
| Desaprova | 50% |
| Aprova | 46% |
| Não sabe ou não respondeu | 4% |
Avaliação do governo Lula
| Avaliação | Percentual |
|---|---|
| Péssima | 32% |
| Ruim | 11% |
| Regular | 19% |
| Boa | 20% |
| Ótima | 15% |
| Não sabe ou não respondeu | 3% |
Ao reunir as categorias, 43% classificam a administração como ruim ou péssima. Já a avaliação positiva, formada pelas respostas boa e ótima, soma 35%.
Os dados completos sobre aprovação, avaliação e metodologia foram divulgados pela CNN Brasil.
O que significa a desaprovação de 50%
O percentual de 50% indica que metade da amostra declarou desaprovar a maneira como Lula administra o país. Isso não significa necessariamente que todos esses entrevistados tenham a mesma motivação, posição ideológica ou preferência eleitoral.
Um eleitor pode desaprovar o governo por razões econômicas, administrativas, políticas ou pessoais. Outro pode discordar de apenas algumas prioridades. Também é possível desaprovar a gestão e, mesmo assim, votar no presidente diante das alternativas apresentadas em uma eleição.
Da mesma forma, aprovação não representa apoio incondicional. Entre os 46% que aprovam, podem existir diferentes níveis de entusiasmo e distintas expectativas sobre os próximos meses.
Portanto, a pesquisa mede uma percepção geral no período das entrevistas. Ela não explica individualmente todos os motivos da aprovação ou da rejeição.
A diferença está dentro da margem de erro?
A margem de erro informada pela Indexa é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos.
Em uma leitura simplificada, os resultados podem variar nos seguintes intervalos:
| Indicador | Resultado | Intervalo aproximado |
|---|---|---|
| Aprovação | 46% | 43,8% a 48,2% |
| Desaprovação | 50% | 47,8% a 52,2% |
Esses intervalos apresentam uma pequena sobreposição. Por isso, a conclusão mais prudente é que a desaprovação aparece numericamente à frente, mas a distância entre os dois grupos continua apertada.
Também é necessário lembrar que a margem de erro não funciona como uma correção automática dos resultados. Ela representa uma estimativa da variação amostral esperada, considerando a metodologia e o nível de confiança.
Para declarar com segurança uma mudança consolidada na opinião pública, o mais adequado é observar uma sequência de pesquisas, preferencialmente do mesmo instituto e realizadas com o mesmo método.
Resultado interrompe vantagem registrada em julho
Na rodada anterior da Indexa, realizada entre 16 e 19 de julho, a aprovação estava em 49%, enquanto a desaprovação marcava 48%. Outros 3% não opinaram.
No levantamento de agosto, a aprovação passou para 46%, e a desaprovação chegou a 50%. Assim, houve uma mudança na liderança numérica: em julho, a aprovação aparecia um ponto à frente; agora, a desaprovação está quatro pontos acima.
| Rodada | Aprovação | Desaprovação | Não sabe |
|---|---|---|---|
| Julho de 2026 | 49% | 48% | 3% |
| Agosto de 2026 | 46% | 50% | 4% |
| Variação numérica | -3 pontos | +2 pontos | +1 ponto |
A rodada de julho entrevistou 2 mil eleitores por telefone e também possuía margem de erro de 2,2 pontos. Naquele momento, o cenário era classificado como empate técnico, conforme os números publicados pela CartaCapital.
Como existem margens de erro nas duas rodadas, não se deve atribuir significado excessivo a pequenas oscilações. A alteração merece atenção, mas levantamentos futuros serão necessários para indicar se houve uma tendência de queda ou apenas uma variação temporária.
Aprovação não é a mesma coisa que avaliação
Uma das dúvidas mais comuns em pesquisas políticas está na diferença entre “aprovar o governo” e “avaliar o governo como ótimo, bom, regular, ruim ou péssimo”.
Aprovação mede uma escolha mais direta
Nessa pergunta, o entrevistado geralmente precisa informar se aprova ou desaprova a maneira como o presidente administra o país.
Como existem poucas alternativas, pessoas com avaliações intermediárias acabam escolhendo um dos lados.
Avaliação permite maior detalhamento
A pergunta com cinco categorias possibilita uma resposta mais graduada. O eleitor pode considerar que a gestão não é boa nem ruim e escolher “regular”.
No levantamento da Indexa, 19% avaliaram o governo Lula como regular. Esse grupo pode conter tanto eleitores inclinados à aprovação quanto pessoas mais próximas da desaprovação.
Por que os percentuais são diferentes
A soma de bom e ótimo chega a 35%, percentual inferior aos 46% de aprovação. Isso não representa um erro.
Parte dos entrevistados que considera a administração regular pode aprová-la quando confrontada com uma pergunta binária. Da mesma maneira, outros podem classificá-la como regular e desaprová-la.
Consequentemente, uma notícia deve apresentar os dois conjuntos de dados de forma separada.
Avaliação negativa chega a 43%
Além dos 50% que desaprovam a maneira de Lula administrar, 43% classificam o governo como ruim ou péssimo.
A categoria “péssimo” concentra 32% dos entrevistados, constituindo a maior resposta individual na escala de avaliação. Outros 11% consideram a administração ruim.
No campo positivo, 20% avaliam o governo como bom, enquanto 15% respondem ótimo. A soma resulta em 35%.
A diferença entre avaliação negativa e positiva é, portanto, de oito pontos percentuais. O grupo que escolheu “regular” representa quase um quinto da amostra e poderá ser relevante para as estratégias eleitorais.
Maioria diz que Lula não merece outro mandato
A pesquisa também perguntou se o presidente merece mais quatro anos de mandato.
Segundo os números divulgados, 51% disseram que Lula não merece um novo período na Presidência. Outros 41% afirmaram que ele merece, enquanto 8% não souberam ou não opinaram.
| Resposta | Percentual |
|---|---|
| Não merece mais quatro anos | 51% |
| Merece mais quatro anos | 41% |
| Não sabe ou não opinou | 8% |
Essa pergunta se aproxima mais do debate eleitoral, mas ainda não equivale diretamente à intenção de voto.
Um entrevistado pode considerar que Lula não merece outro mandato e, mesmo assim, escolher o petista diante de um adversário específico. Da mesma forma, alguém pode aprovar o governo, mas preferir outra candidatura.
Para medir a disputa eleitoral, são necessárias perguntas com nomes e cenários de primeiro ou segundo turno.
Pesquisa também mede receios sobre a eleição
Outro dado divulgado compara preocupações relacionadas à continuidade de Lula e ao retorno da família Bolsonaro ao poder.
A volta da família Bolsonaro provoca mais receio em 39% dos entrevistados. O mesmo percentual, 39%, respondeu temer mais um mandato de Lula.
Outros 9% disseram ter medo das duas possibilidades, 11% não demonstraram receio de nenhuma delas e 2% não responderam.
| Situação que causa mais receio | Percentual |
|---|---|
| Volta da família Bolsonaro | 39% |
| Mais um mandato de Lula | 39% |
| As duas possibilidades | 9% |
| Nenhuma das duas | 11% |
| Não sabe ou não respondeu | 2% |
O empate evidencia a polarização política do país. Entretanto, a escolha das palavras e o formato da pergunta podem influenciar como os entrevistados interpretam o cenário.
O conteúdo integral do questionário, sua ordem e as alternativas apresentadas são importantes para uma análise mais completa.
Os dados sobre novo mandato e receios dos eleitores foram divulgados em reportagem da Agência Estado reproduzida pelo UOL.
O que pode influenciar a avaliação do governo Lula
A pesquisa mostra a percepção dos eleitores, mas não estabelece uma relação direta de causa e efeito. Sem perguntas específicas sobre os motivos, não é correto afirmar que um único acontecimento provocou a oscilação.
De maneira geral, a popularidade de governos pode ser influenciada por diferentes áreas.
Economia percebida pelas famílias
Indicadores como inflação, emprego e renda são importantes. No entanto, a experiência cotidiana pode ser diferente dos resultados médios nacionais.
Um eleitor pode formar sua opinião principalmente a partir de:
- preço dos alimentos;
- contas de energia e transporte;
- possibilidade de conseguir emprego;
- rendimento familiar;
- acesso ao crédito;
- endividamento;
- percepção sobre impostos.
Mesmo quando determinado indicador melhora, a mudança pode demorar para ser percebida por todos.
Serviços públicos
Saúde, educação, segurança, habitação e infraestrutura também influenciam a avaliação. Embora vários desses serviços dependam de estados e municípios, o governo federal costuma receber parte do crédito ou da cobrança.
Comunicação política
A maneira como o governo explica suas medidas pode afetar a compreensão do público. Programas pouco conhecidos ou comunicados de forma confusa podem não produzir ganho de popularidade, mesmo quando alcançam parte da população.
Relação com o Congresso
O andamento de projetos, as negociações com partidos e os conflitos entre Poderes contribuem para a percepção de eficiência ou dificuldade administrativa.
Disputa eleitoral
Em ano de eleição, campanhas e adversários intensificam a comunicação. O aumento da exposição política pode fortalecer opiniões já existentes e elevar a polarização.
Esses fatores representam hipóteses gerais de análise, não explicações confirmadas pela pesquisa Indexa.
Como funciona a metodologia da Indexa
A pesquisa ouviu 2 mil eleitores entre 20 e 23 de agosto de 2026. As entrevistas foram realizadas por telefone, com questionário estruturado.
Ficha técnica
| Item | Informação |
|---|---|
| Instituto | Indexa Pesquisas |
| Número de entrevistados | 2.000 eleitores |
| Período de campo | 20 a 23 de agosto de 2026 |
| Método | Entrevistas por telefone |
| Margem de erro | 2,2 pontos percentuais |
| Nível de confiança | 95% |
| Financiamento | Recursos do próprio instituto |
| Registro no TSE | BR-06366/2026 |
| Divulgação | 26 de agosto de 2026 |
O nível de confiança de 95% significa que, se pesquisas semelhantes fossem repetidas muitas vezes com os mesmos critérios, a expectativa estatística é que aproximadamente 95 em cada 100 intervalos calculados incluíssem o valor real da população.
Isso não quer dizer que exista “95% de chance de a pesquisa estar certa”. O conceito se refere ao método de construção dos intervalos, e não a uma garantia sobre cada percentual isolado.
Entrevistas telefônicas possuem limitações?
Toda metodologia de pesquisa apresenta vantagens e limitações.
As entrevistas por telefone permitem coleta relativamente rápida, cobertura nacional e acompanhamento frequente da opinião pública. Também possibilitam controle do questionário e treinamento dos entrevistadores.
Por outro lado, o instituto precisa corrigir possíveis desequilíbrios na amostra. Pessoas com perfis diferentes podem ter probabilidades distintas de atender chamadas ou aceitar participar.
Entre os principais cuidados metodológicos estão:
- distribuição regional;
- idade;
- gênero;
- escolaridade;
- renda;
- perfil do eleitorado;
- seleção dos números;
- taxa de resposta;
- ponderação estatística.
O registro no TSE permite consultar informações sobre o levantamento, mas não representa uma certificação de que o Tribunal concorda com os resultados. O registro serve para dar transparência à metodologia, ao contratante, ao questionário e aos responsáveis técnicos.
Uma pesquisa isolada prevê a eleição?
Não. Pesquisa de aprovação e pesquisa de intenção de voto medem questões diferentes.
A aprovação indica como os eleitores avaliam a administração naquele momento. A intenção de voto pergunta em quem pretendem votar dentro de um cenário específico.
Além disso, pesquisas representam o período em que as entrevistas foram realizadas. Campanhas, debates, acontecimentos econômicos e novos fatos políticos podem alterar as opiniões.
Para acompanhar a situação com mais segurança, o leitor deve:
- comparar levantamentos do mesmo instituto ao longo do tempo;
- observar pesquisas de diferentes empresas;
- conferir a data do trabalho de campo;
- verificar margem de erro e tamanho da amostra;
- consultar o número de registro no TSE;
- distinguir aprovação de intenção de voto;
- evitar conclusões baseadas apenas em títulos.
Agregados de pesquisas podem ajudar a reduzir a importância dada a uma sondagem isolada. Mesmo assim, eles dependem da qualidade e da comparabilidade dos estudos incluídos.
O que os números representam para o governo
A desaprovação numericamente superior representa um sinal de atenção para o Palácio do Planalto. A proximidade da eleição aumenta a importância de grupos que oscilam entre avaliação regular, aprovação e desaprovação.
O governo poderá tentar melhorar sua imagem por meio da entrega de políticas públicas, da comunicação de resultados e da aprovação de medidas no Congresso. Entretanto, não há garantia de que uma ação administrativa produza efeito imediato nas pesquisas.
A oposição, por sua vez, deverá explorar os 50% de desaprovação e o percentual de eleitores que rejeitam um novo mandato. Contudo, rejeição ao governo não se converte automaticamente em votos para um único adversário.
Como diferentes candidaturas disputam o eleitor insatisfeito, a capacidade de apresentar propostas e formar alianças também será decisiva.
O que os dados indicam para a eleição de 2026
Os resultados reforçam um ambiente competitivo e polarizado.
O governo Lula possui uma base relevante de 46% de aprovação. Ao mesmo tempo, enfrenta 50% de desaprovação e uma avaliação negativa de 43%.
Esses números sugerem três desafios principais:
- recuperar eleitores que passaram da aprovação para a desaprovação;
- conquistar parte dos que avaliam o governo como regular;
- reduzir a resistência a um novo mandato.
Para os adversários, o desafio será transformar a insatisfação em intenção de voto. Se a oposição permanecer dividida, parte do eleitorado poderá distribuir-se entre diferentes candidaturas durante o primeiro turno.
Portanto, a pesquisa deve ser lida como um retrato de popularidade, e não como resultado antecipado das urnas.
Conclusão
A pesquisa Indexa mostra que 50% desaprovam o governo Lula, enquanto 46% aprovam sua forma de administrar o país. Outros 4% não responderam. A diferença numérica é de quatro pontos, dentro de um cenário ainda apertado quando considerada a margem de erro de 2,2 pontos percentuais.
Na avaliação detalhada, 43% classificam a gestão como ruim ou péssima, 35% como boa ou ótima e 19% como regular. Além disso, 51% afirmam que Lula não merece mais quatro anos de mandato, contra 41% que defendem sua continuidade.
Comparada à rodada de julho, a pesquisa apresenta queda numérica na aprovação e aumento na desaprovação. Contudo, será necessário acompanhar os próximos levantamentos para saber se a mudança representa uma tendência consolidada.
A orientação prática é não interpretar uma única pesquisa como previsão eleitoral. O leitor deve conferir metodologia, período das entrevistas, margem de erro, registro no TSE e evolução da série histórica antes de tirar conclusões sobre o governo Lula ou a disputa presidencial.