Estreia na TV: como Lula e Flávio enfrentarão rejeição
Lula e Flávio Bolsonaro estreiam na propaganda eleitoral tentando reduzir a rejeição. Compare tempo de TV, temas, vantagens e riscos das campanhas.
Lula e Flávio usam estreia na TV para reduzir rejeição; veja as estratégias
A propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão começa nesta sexta-feira, 28 de agosto de 2026, e coloca os candidatos à Presidência diante de um público mais amplo. Na estreia na TV, Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, e Flávio Bolsonaro, do PL, tentarão enfrentar um problema compartilhado: os dois apresentam índices elevados de rejeição.
Embora liderem as pesquisas de intenção de voto, Lula e Flávio encontram resistência em parcelas próximas da metade do eleitorado. Esse cenário transforma a propaganda eleitoral em uma oportunidade para apresentar propostas, humanizar suas imagens e dialogar com grupos que ainda não decidiram o voto.
As campanhas, entretanto, seguirão caminhos diferentes. Lula pretende defender a continuidade do governo, destacar entregas e abordar soberania, trabalho, segurança e políticas para mulheres. Flávio tentará apresentar uma identidade própria, explorar críticas à gestão petista e ampliar sua presença entre eleitores conservadores.
A estreia na TV não garantirá uma redução imediata da rejeição. Seu impacto somente poderá ser avaliado com pesquisas posteriores, realizadas com metodologia comparável.
Quando começa a propaganda eleitoral na TV?
O horário eleitoral gratuito do primeiro turno será exibido entre 28 de agosto e 1º de outubro de 2026. A propaganda eleitoral geral, incluindo atividades nas ruas e na internet, já estava autorizada desde 16 de agosto.
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, os programas para diferentes cargos serão apresentados em dias alternados, seguindo o calendário e os horários definidos pela legislação.
A expressão “horário eleitoral gratuito” significa que partidos, federações e coligações não compram diretamente aquele espaço das emissoras. Contudo, as campanhas continuam tendo despesas com equipes, gravações, edição, consultoria, deslocamentos e produção.
A divisão do tempo considera a representação dos partidos na Câmara dos Deputados, além das regras aplicadas às federações e coligações.
Quanto tempo Lula e Flávio terão na estreia na TV?
O Tribunal Superior Eleitoral aprovou o plano de mídia da eleição presidencial em 25 de agosto. Cada bloco terá 12 minutos e 30 segundos, divididos entre quatro candidaturas.
| Candidato | Partido ou coligação | Tempo em cada bloco |
|---|---|---|
| Lula | Brasil Pronto pra Mais | 5 minutos e 31 segundos |
| Flávio Bolsonaro | PL | 4 minutos e 20 segundos |
| Ronaldo Caiado | PSD | 2 minutos e 2 segundos |
| Augusto Cury | Avante | 35 segundos |
A coligação de Lula reúne PDT, PSB, Federação Brasil da Esperança — formada por PT, PCdoB e PV —, PSOL e Rede. Essa composição garantiu ao presidente o maior tempo.
Flávio Bolsonaro concorre pelo PL, partido que possui uma das maiores representações consideradas para o cálculo. Mesmo sem uma coligação presidencial ampla, o senador terá o segundo maior espaço.
Na primeira exibição, a sequência definida por sorteio será:
- Augusto Cury;
- Ronaldo Caiado;
- Flávio Bolsonaro;
- Lula.
A partir do programa seguinte, a ordem será alterada de acordo com o sistema de rodízio estabelecido pelo TSE. As informações constam no plano oficial de mídia das Eleições 2026.
Como funcionarão as inserções ao longo do dia?
Além dos programas em bloco, a televisão e o rádio terão inserções distribuídas durante a programação. São anúncios curtos utilizados para repetir mensagens, apresentar propostas ou responder a adversários.
Para a disputa presidencial, foram reservados 14 minutos diários de inserções. Ao todo, o plano de mídia prevê 980 peças de 30 segundos:
- coligação de Lula: 434 inserções;
- PL de Flávio Bolsonaro: 339 inserções;
- PSD de Ronaldo Caiado: 160 inserções;
- Avante de Augusto Cury: 47 inserções.
Os números oficiais apresentam pequenas diferenças em relação a estimativas divulgadas antes da aprovação do plano. Por isso, deve-se utilizar a resolução final do TSE como referência.
As inserções são importantes porque alcançam o público fora do bloco tradicional. Um eleitor que não acompanha o horário eleitoral completo pode receber mensagens das campanhas durante intervalos da programação normal.
Por que Lula e Flávio querem reduzir a rejeição?
Rejeição eleitoral representa a parcela dos entrevistados que afirma não votar em determinado candidato de maneira alguma. Esse indicador não é igual à intenção de voto.
Um político pode possuir uma base fiel e, ao mesmo tempo, enfrentar resistência elevada. O problema aparece principalmente quando a eleição se aproxima do segundo turno: para vencer, o candidato precisa ampliar seu apoio além do núcleo original.
Pesquisa Datafolha divulgada em 21 de agosto mostrou Flávio Bolsonaro com 46% de rejeição e Lula com 45%. Como a margem de erro era de dois pontos percentuais, eles estavam tecnicamente empatados nesse indicador. O levantamento ouviu 2.058 pessoas presencialmente entre 18 e 21 de agosto, conforme informou a CNN Brasil.
Outros institutos encontraram percentuais diferentes, mas repetiram uma tendência: Lula e Flávio aparecem como os candidatos mais competitivos e, simultaneamente, entre os mais rejeitados.
As diferenças entre pesquisas não significam necessariamente erro. Cada levantamento utiliza amostra, questionário, datas e métodos próprios. A comparação mais segura ocorre entre rodadas realizadas pelo mesmo instituto.
Qual será a estratégia de Lula na estreia na TV?
Lula terá o maior tempo do horário eleitoral e deverá utilizá-lo para defender que seu governo precisa continuar para concluir projetos iniciados no atual mandato.
Segundo apuração publicada pela CNN Brasil, a campanha pretende trabalhar com soberania nacional, emprego, educação, segurança pública, políticas para mulheres e mudanças na jornada de trabalho.
Continuidade com entregas concretas
A estratégia de um presidente que busca permanecer no cargo normalmente combina balanço de gestão e promessas para o próximo período.
Lula poderá apresentar obras, programas sociais, medidas econômicas e ações de seu governo. Entretanto, o conteúdo precisará estabelecer uma ligação clara entre cada política e a vida cotidiana.
Uma relação extensa de realizações pode não ser suficiente para convencer quem desaprova a administração. Para reduzir rejeição, a campanha precisará responder às preocupações do eleitor, reconhecer dificuldades e explicar o que pretende fazer.
Soberania ligada ao cotidiano
A defesa da soberania deverá aparecer como um dos eixos da campanha petista. Contudo, a comunicação tentará evitar que o assunto permaneça abstrato.
Temas como minerais críticos e terras raras poderão ser associados à criação de empregos, tecnologia, desenvolvimento industrial e educação. A intenção é demonstrar que controlar recursos estratégicos produz efeitos na economia e nas oportunidades para a população.
Esse enquadramento também permite que Lula adote uma imagem presidencial e institucional. Em vez de concentrar a estreia em ataques, a campanha pode apresentar o candidato como defensor dos interesses nacionais.
Segurança pública
Segurança é uma área sensível para o governo e uma preocupação frequente dos eleitores. Lula pretende destacar a PEC da Segurança Pública, proposta que busca ampliar a coordenação nacional sem eliminar as responsabilidades estaduais.
O desafio será mostrar resultados e explicar de forma simples uma mudança constitucional complexa. A propaganda também precisará evitar prometer efeitos imediatos que dependem do Congresso, dos estados e da implementação posterior.
Mulheres e redução da rejeição
A campanha pretende reservar espaço para propostas dirigidas às mulheres. Esse público pode ser decisivo em uma eleição equilibrada.
Entretanto, políticas apresentadas como “para mulheres” precisam superar mensagens genéricas. Temas como segurança, saúde, emprego, educação infantil e renda podem alcançar diferentes experiências concretas.
A representação feminina nos programas e a maneira como a campanha responde a críticas também influenciam a credibilidade dessa aproximação.
Fim da escala 6×1
Lula deve explorar politicamente a proposta de alteração da escala 6×1. A discussão possui apelo entre trabalhadores que defendem mais tempo de descanso e melhor equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
Contudo, a proposta ainda depende de tramitação no Congresso. A expectativa é de avanço em comissão, enquanto uma eventual votação no plenário do Senado poderá ocorrer somente depois da eleição.
Portanto, o programa deve diferenciar apoio político de aprovação definitiva. Caso trate a medida como uma entrega concluída, poderá criar uma expectativa incorreta.
Qual será a estratégia de Flávio Bolsonaro?
Flávio Bolsonaro terá pouco mais de quatro minutos por bloco. A campanha pretende usar esse espaço para apresentá-lo nacionalmente e construir uma identidade que não dependa exclusivamente do sobrenome do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O senador já é conhecido por eleitores que acompanham política. Ainda assim, uma parte do público pode saber pouco sobre sua trajetória, propostas e experiência parlamentar.
Construção de uma identidade própria
Um dos objetivos será mostrar quem é Flávio Bolsonaro além da relação familiar. A campanha poderá destacar sua atuação no Senado, suas posições políticas e sua vida pública.
Essa tarefa apresenta uma contradição estratégica. O sobrenome Bolsonaro mobiliza uma base conservadora importante, mas também contribui para sua rejeição. A campanha precisa aproveitar o apoio ligado ao ex-presidente sem fazer Flávio parecer apenas um representante da continuidade familiar.
A solução provável será combinar os valores do bolsonarismo com uma comunicação mais pessoal e moderada. O resultado dependerá da capacidade de convencer eleitores que ainda não o consideram preparado para a Presidência.
Segurança como forma de soberania
Flávio também pretende falar sobre soberania, porém adotará um significado diferente. Em vez de concentrar o tema em recursos naturais, sua campanha deverá relacioná-lo à segurança pública.
O argumento será que o cidadão perde autonomia sobre a própria rotina quando teme circular nas ruas, utilizar o telefone ou manter seus bens. A campanha tentará apresentar Flávio como um candidato capaz de recuperar essa sensação de controle.
Segurança costuma favorecer discursos diretos, mas propostas federais precisam respeitar a divisão de responsabilidades entre União, estados e municípios. Planos sem explicação sobre financiamento, coordenação e execução podem produzir impacto publicitário sem demonstrar viabilidade.
Críticas diretas a Lula
A campanha de Flávio planeja reservar espaço para confronto com o presidente. Investigações envolvendo pessoas próximas ao governo poderão ser exploradas para reforçar uma mensagem antipetista e de combate à corrupção.
Entretanto, acusações eleitorais devem observar os fatos e o estágio de cada investigação. Uma pessoa investigada não pode ser apresentada automaticamente como culpada.
O vice de Flávio, Alfredo Gaspar, deverá participar desse eixo da campanha. Sua atuação anterior como relator da CPMI do INSS será usada para transmitir conhecimento técnico e reforçar críticas ao governo.
O confronto pode mobilizar a base conservadora. Por outro lado, ataques excessivos podem dificultar a redução da rejeição entre eleitores que desejam uma campanha mais propositiva.
Comparação das estratégias de Lula e Flávio
| Ponto | Lula | Flávio Bolsonaro |
|---|---|---|
| Objetivo principal | Defender continuidade e entregas | Apresentar identidade própria |
| Tempo por bloco | 5min31s | 4min20s |
| Soberania | Recursos, indústria e empregos | Segurança e rotina do cidadão |
| Segurança pública | PEC e coordenação nacional | Discurso de combate à criminalidade |
| Tom provável | Institucional e propositivo | Crítico e combativo |
| Principal vantagem | Estrutura de governo e maior tempo | Base conservadora consolidada |
| Principal risco | Desgaste do atual governo | Dependência do sobrenome e rejeição |
| Desafio compartilhado | Convencer eleitores resistentes | Convencer eleitores resistentes |
Essa comparação representa estratégias anunciadas ou apuradas antes da estreia. O conteúdo efetivamente exibido poderá apresentar ajustes.
Por que a televisão ainda importa?
As redes sociais ganharam espaço nas campanhas, mas a televisão continua relevante por alcançar públicos que não acompanham política diariamente na internet.
O horário eleitoral também oferece uma exposição simultânea e organizada. Os candidatos controlam roteiro, imagens, trilha, edição e mensagem, diferentemente de entrevistas e debates, nos quais precisam reagir a perguntas ou adversários.
A televisão ainda produz conteúdos que serão reutilizados em outras plataformas. Um trecho apresentado no horário eleitoral pode virar anúncio, vídeo vertical, publicação em aplicativo de mensagens ou assunto de debate jornalístico.
Dessa forma, a estreia na TV funciona como parte de um ecossistema de comunicação. O programa não termina quando sai do ar: ele continua circulando digitalmente.
Ronaldo Caiado e Augusto Cury também terão espaço
Embora Lula e Flávio concentrem a maior atenção, Ronaldo Caiado e Augusto Cury também participarão do horário eleitoral.
Caiado busca ampliar conhecimento nacional
Ronaldo Caiado terá dois minutos e dois segundos. O candidato pretende apresentar sua trajetória e se posicionar como alternativa de centro-direita.
Sua campanha deverá tentar diferenciá-lo tanto de Lula quanto de Flávio. O desafio será transformar experiência política e administrativa em uma mensagem nacional capaz de alcançar eleitores fora de sua base regional.
Cury usará a TV como porta de entrada
Augusto Cury terá somente 35 segundos. Esse tempo não permite explicar várias propostas detalhadamente.
A estratégia deverá apostar em uma mensagem curta para despertar curiosidade e direcionar o eleitor às redes sociais. Cury pretende posicionar-se como uma alternativa à polarização.
O risco é que a mensagem se torne genérica. Com poucos segundos, o candidato precisa apresentar nome, identidade e razão para ser considerado, sem depender apenas de frases de efeito.
Por que alguns candidatos não terão horário eleitoral?
Renan Santos, do Missão, e Romeu Zema, do Novo, estão entre os candidatos sem tempo garantido na propaganda gratuita presidencial.
A participação depende do cumprimento das regras relacionadas à representação partidária na Câmara. Não basta ter candidatura registrada para receber uma parte do bloco.
A ausência não impede campanha em redes sociais, atos públicos, entrevistas e debates. Entretanto, reduz a capacidade de alcançar eleitores pela propaganda gratuita no rádio e na televisão.
Quais regras as campanhas precisam observar?
A propaganda eleitoral deve respeitar as normas definidas pelo TSE. As regras de 2026 reforçam a identificação de conteúdos gerados por inteligência artificial e proíbem deepfakes.
Segundo o TSE, também são proibidas informações falsas ou gravemente descontextualizadas capazes de comprometer a integridade do processo eleitoral.
Entre os principais cuidados estão:
- identificar corretamente candidatos e responsáveis pelas peças;
- respeitar o tempo destinado a cada candidatura;
- não utilizar deepfakes;
- sinalizar conteúdos produzidos ou alterados por inteligência artificial;
- não divulgar fatos falsos como verdadeiros;
- observar os direitos de resposta;
- prestar contas das despesas de produção;
- respeitar direitos autorais de imagens e músicas.
O uso irregular de conteúdo pode provocar retirada da propaganda, direito de resposta, multas ou outras consequências previstas na legislação.
A estreia na TV conseguirá reduzir a rejeição?
Ainda não é possível afirmar. Uma boa peça publicitária pode melhorar a percepção do público, mas a rejeição costuma ter causas mais profundas.
No caso de Lula, ela pode estar relacionada à avaliação do governo, à economia, à segurança, a escândalos anteriores e à polarização acumulada em várias eleições.
Para Flávio, a resistência pode envolver o sobrenome Bolsonaro, dúvidas sobre experiência executiva, controvérsias de sua trajetória e rejeição ao campo político representado por sua família.
Uma propaganda será mais eficiente se responder diretamente a essas preocupações. Mensagens criativas podem gerar repercussão, mas não substituem propostas, credibilidade e coerência.
Para medir o efeito, será necessário observar:
- pesquisas de rejeição antes e depois do início da TV;
- intenção de voto entre indecisos;
- avaliação dos programas por grupos específicos;
- alcance e repercussão das peças nas redes;
- mudança na imagem pessoal dos candidatos;
- evolução regional dos resultados.
Mesmo assim, mudanças não poderão ser atribuídas automaticamente à televisão. Debates, notícias, economia e acontecimentos de campanha também influenciam o eleitor.
Conclusão
A estreia na TV abre uma fase decisiva da eleição presidencial de 2026. Lula terá o maior tempo e buscará defender a continuidade do governo, apresentar entregas e relacionar soberania a emprego, educação, segurança e desenvolvimento.
Flávio Bolsonaro tentará ampliar seu conhecimento nacional, construir identidade própria e explorar a segurança pública e as críticas ao governo petista. Seu desafio será mobilizar a direita sem afastar eleitores que rejeitam uma campanha excessivamente confrontadora.
Os dois chegam ao horário eleitoral com rejeição elevada e uma disputa competitiva nas pesquisas. Entretanto, nenhuma estratégia garante redução dessa resistência.
A orientação prática ao eleitor é comparar as promessas com dados, competências legais e resultados anteriores. A propaganda apresenta a versão construída pelas campanhas; a decisão informada exige verificar o que é possível, o que já foi realizado e quais propostas dependem do Congresso ou de outras autoridades.