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Preço caríssimo: Zema critica logística do agro em MG

Zema diz que o agro paga um preço caríssimo fora da porteira. Entenda a fala, a ponte no Norte de Minas e os desafios da logística.

“Agro paga um preço caríssimo da porteira para fora”, diz Zema em MG

O candidato à Presidência da República Romeu Zema, do Partido Novo, afirmou que o agronegócio brasileiro paga um “preço caríssimo” por causa das deficiências de infraestrutura encontradas depois que a produção deixa as propriedades rurais.

A declaração foi feita na quinta-feira, 27 de agosto de 2026, durante uma visita ao Norte de Minas Gerais. Zema acompanhou as obras da ponte sobre o Rio São Francisco, estrutura que ligará os municípios de São Francisco e Pintópolis pela rodovia MG-402.

Segundo o ex-governador mineiro, os produtores alcançam elevados níveis de eficiência dentro das fazendas, mas perdem competitividade quando precisam transportar a produção por estradas, pontes, ferrovias, armazéns e portos.

A afirmação de que o setor paga um preço caríssimo “da porteira para fora” resume um problema conhecido da economia brasileira: produzir em grande escala não garante competitividade quando o custo para levar a mercadoria até o consumidor ou ao mercado internacional permanece elevado.

A visita também teve caráter eleitoral. Zema deixou o governo de Minas Gerais para concorrer à Presidência em 2026 e utiliza projetos iniciados ou retomados durante sua gestão como exemplos de suas propostas nacionais.

O que Zema quis dizer com “preço caríssimo”?

A expressão “da porteira para dentro” é usada no agronegócio para representar as atividades realizadas dentro da propriedade rural. Ela inclui preparo do solo, plantio, irrigação, alimentação dos animais, controle de pragas, colheita e gestão da fazenda.

Já “da porteira para fora” reúne as etapas posteriores à produção:

  • transporte até armazéns e centros de distribuição;
  • travessia de rios e deslocamento entre municípios;
  • armazenamento;
  • processamento industrial;
  • acesso a ferrovias e hidrovias;
  • chegada aos portos;
  • pagamento de fretes, tarifas e seguros;
  • distribuição ao consumidor;
  • exportação para outros países.

Zema argumentou que a produtividade conquistada no campo acaba parcialmente comprometida por uma infraestrutura insuficiente.

“Nosso agro é muito eficiente da porteira para dentro, mas paga um preço caríssimo da porteira para fora”, afirmou o candidato durante a agenda em Minas Gerais, conforme registrou o Metrópoles.

A fala representa uma avaliação política de Zema. Não foi apresentado naquele momento um cálculo específico que quantificasse o preço caríssimo pago por todos os produtores brasileiros. Os custos variam de acordo com o produto, a região, a distância e o meio de transporte disponível.

Onde Zema fez a declaração?

A declaração ocorreu durante uma vistoria às obras da ponte sobre o Rio São Francisco, entre os municípios de São Francisco e Pintópolis, no Norte de Minas.

A estrutura está sendo implantada na MG-402 e possui aproximadamente 1.120 metros de extensão e 13,8 metros de largura. O projeto também inclui acessos rodoviários para permitir a ligação efetiva da ponte à malha viária da região.

Segundo informações do governo mineiro, o empreendimento havia alcançado aproximadamente 50% de execução em junho de 2026. O investimento informado pela Secretaria de Infraestrutura de Minas Gerais está próximo de R$ 221,9 milhões, considerando a ponte e as intervenções associadas.

As obras começaram em 2022, durante o governo de Romeu Zema, e a previsão apresentada durante a visita é de conclusão no início de 2027. Como ocorre em qualquer obra de grande porte, o prazo pode ser alterado por condições climáticas, questões técnicas, licenciamento ou mudanças contratuais.

Quais são as dimensões da ponte?

CaracterísticaInformação
LocalizaçãoMG-402, entre São Francisco e Pintópolis
Rio atravessadoRio São Francisco
Extensão aproximada1.120 metros
Largura13,8 metros
Acessos associadosAproximadamente 3,06 quilômetros
Investimento informadoCerca de R$ 221,9 milhões
Início das obras2022
Execução registrada em junho de 2026Aproximadamente 50%
Previsão mencionada para conclusãoInício de 2027

Os dados sobre extensão e largura aparecem em documentos do Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais. A Agência Minas também classifica a estrutura como um dos maiores empreendimentos rodoviários em execução no estado.

Quais benefícios são esperados com a nova ponte?

Atualmente, moradores, produtores e transportadores da região dependem de balsas ou de trajetos alternativos para cruzar o Rio São Francisco.

A ponte permitirá uma travessia contínua, sem depender dos horários de operação das embarcações ou das condições do rio.

Zema afirmou que a estrutura poderá reduzir em mais de duas horas e meia o tempo de viagem entre áreas atendidas pela ligação. A estimativa foi apresentada pelo candidato e deverá ser verificada depois que a ponte e seus acessos entrarem efetivamente em operação.

Entre os benefícios esperados estão:

  • redução da distância percorrida;
  • diminuição do tempo de viagem;
  • menor consumo de combustível;
  • eliminação da espera por balsas;
  • transporte mais previsível;
  • facilidade para o escoamento da produção;
  • melhor acesso a serviços públicos;
  • maior integração entre municípios;
  • possibilidade de atrair novos investimentos;
  • melhoria do deslocamento de moradores.

A obra não atende exclusivamente ao agronegócio. Ela também pode facilitar viagens relacionadas a saúde, educação, comércio, turismo e serviços administrativos.

Como a ponte pode reduzir custos do agro?

O custo de transporte depende de distância, tempo, combustível, manutenção, pedágios, condições da via e disponibilidade de veículos.

Quando um caminhão precisa aguardar uma balsa ou realizar um desvio, a empresa gasta mais combustível e utiliza o veículo por mais tempo. Isso reduz o número de viagens possíveis e aumenta o custo de cada tonelada transportada.

Produtos perecíveis também podem perder qualidade quando permanecem muitas horas em trânsito. Para itens de menor valor por tonelada, o frete pode representar uma parcela ainda maior do preço final.

A ponte tende a melhorar a previsibilidade, mas não resolverá isoladamente todos os gargalos. Os acessos precisam estar pavimentados e conservados, e as demais etapas da rota até centros consumidores ou portos também devem funcionar adequadamente.

A ponte é um projeto exclusivo da gestão Zema?

Não. A demanda pela ligação entre São Francisco e Pintópolis é antiga e atravessou diferentes governos.

Em 2017, durante o governo de Fernando Pimentel, foi autorizada a construção da ponte, com uma previsão inicial de investimento de aproximadamente R$ 105 milhões. O projeto, entretanto, não foi concluído naquele período.

Em 2021, o governo Zema anunciou novamente a implantação da estrutura. As obras começaram em 2022 e, posteriormente, passaram por etapas de revisão, licitação e retomada.

O governo de Minas selecionou um novo consórcio em 2024 para dar continuidade aos trabalhos. Com atualizações de preços, ampliação do escopo e intervenções nos acessos, o investimento informado aumentou em relação às estimativas iniciais.

Portanto, o projeto pode ser associado à execução iniciada na gestão Zema, mas sua origem institucional e política antecede seu governo.

Essa contextualização é importante porque obras públicas de grande porte frequentemente atravessam administrações diferentes. Estudos, licenciamento, desapropriações, orçamento, licitações e execução podem levar vários anos.

Por que o Norte de Minas precisa de infraestrutura?

O Norte de Minas apresenta grandes distâncias entre municípios, população distribuída por áreas extensas e menor disponibilidade de rotas pavimentadas em comparação com regiões mais urbanizadas.

A economia regional envolve:

  • pecuária;
  • agricultura irrigada;
  • produção de frutas;
  • grãos;
  • silvicultura;
  • pequenas agroindústrias;
  • comércio;
  • serviços;
  • turismo ligado ao Rio São Francisco.

Quando a infraestrutura é limitada, produtores localizados mais longe dos principais corredores logísticos enfrentam custos maiores para comprar insumos e vender mercadorias.

O problema também afeta pequenos agricultores. Embora grandes empresas tenham maior capacidade para negociar fretes e manter estruturas próprias, produtores menores frequentemente dependem de transportadores terceirizados e possuem menor margem para absorver aumentos de custo.

Por que o transporte é tão importante para o agronegócio?

A produção agropecuária costuma acontecer longe dos grandes centros consumidores e dos portos. Por isso, o transporte é uma etapa essencial da cadeia.

No Brasil, grande parte das cargas circula por rodovias. Caminhões oferecem flexibilidade para chegar diretamente às propriedades, mas podem apresentar custos elevados em trajetos longos, principalmente quando as estradas estão em condições ruins.

Diferentes modais possuem características próprias:

ModalVantagensLimitações
RodoviárioFlexibilidade e entrega diretaCusto elevado em longas distâncias
FerroviárioAdequado para grandes volumesRede limitada e pouca capilaridade
HidroviárioMenor custo para cargas pesadasDepende de rios navegáveis e terminais
CabotagemÚtil entre regiões costeirasNecessita de portos e integração terrestre
AéreoRapidezCusto elevado e capacidade reduzida

Uma logística eficiente combina diferentes meios de transporte. A mercadoria pode sair da fazenda em um caminhão, seguir parte do trajeto por ferrovia ou hidrovia e chegar ao destino final novamente por estrada.

A falta de integração obriga o uso de caminhões em percursos muito longos, aumentando o preço caríssimo mencionado por Zema.

Minas Gerais possui participação relevante no agro?

Minas Gerais possui uma agropecuária diversificada. O estado se destaca em produtos como café, leite, batata, feijão, milho, soja, cana-de-açúcar e criação de animais.

Nos dados consolidados do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola do IBGE para 2025, Minas respondeu por aproximadamente 5,5% da produção nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas.

Essa participação não representa todo o agronegócio mineiro, pois o indicador não inclui integralmente atividades como pecuária, produção de leite, café beneficiado, agroindústria e serviços ligados ao setor.

O estado também possui regiões produtivas muito diferentes. Enquanto o Triângulo Mineiro está próximo de corredores logísticos importantes, municípios do Norte e do Vale do Jequitinhonha enfrentam maiores distâncias e limitações de infraestrutura.

Quais são os principais custos “da porteira para fora”?

O custo logístico não se limita ao frete pago ao caminhoneiro. Ele reúne diferentes despesas e riscos.

Transporte

Inclui combustível, manutenção, pneus, salários, seguros e depreciação dos veículos. Estradas ruins podem elevar o consumo e acelerar o desgaste dos caminhões.

Armazenamento

A falta de silos próximos pode obrigar o produtor a vender no momento da colheita, mesmo quando os preços não são favoráveis. Também pode gerar filas e perdas.

Tempo de viagem

Rotas longas, travessias por balsa e congestionamentos diminuem a produtividade dos veículos. O tempo adicional pode prejudicar mercadorias perecíveis.

Perdas físicas

Buracos, vibrações, acidentes, manuseio inadequado e ausência de refrigeração podem causar perdas durante o transporte.

Seguro e risco

Rotas consideradas perigosas ou precárias podem encarecer o seguro da carga. Interrupções provocadas por chuvas também aumentam a incerteza.

Acesso aos portos

Mesmo quando existe uma boa rodovia regional, filas, limitações ferroviárias e dificuldades nos terminais podem comprometer a etapa final da exportação.

Uma ponte é suficiente para resolver o problema?

Não. A ponte entre Pintópolis e São Francisco pode eliminar um gargalo relevante, mas precisa fazer parte de uma rede funcional.

Para entregar os resultados esperados, também são necessários:

  • acessos pavimentados;
  • manutenção contínua;
  • sinalização;
  • fiscalização de peso;
  • segurança rodoviária;
  • integração com outras estradas;
  • armazéns e terminais;
  • conexão com ferrovias e hidrovias;
  • planejamento para períodos de chuva;
  • acompanhamento dos custos de operação.

Sem esses elementos, uma estrutura moderna pode se conectar a trechos precários e produzir resultados menores que os projetados.

Além disso, a economia de tempo e dinheiro deve ser medida depois da entrega. Indicadores como fluxo de veículos, tempo médio de viagem, custo do frete e volume transportado permitem verificar se a obra cumpriu seus objetivos.

Quais riscos e limitações acompanham grandes obras?

Projetos de infraestrutura podem gerar benefícios, mas também envolvem riscos que exigem fiscalização.

Entre eles estão:

  • aumento do custo em relação ao orçamento original;
  • atraso na execução;
  • necessidade de aditivos;
  • problemas ambientais;
  • desapropriações;
  • falhas nos acessos;
  • manutenção insuficiente depois da entrega;
  • projeções de demanda excessivamente otimistas;
  • concentração de benefícios em determinados setores;
  • impactos sobre comunidades locais.

O acompanhamento deve incluir portais de transparência, relatórios dos órgãos responsáveis, fiscalização legislativa e controle dos tribunais de contas.

No caso da ponte mineira, o aumento das estimativas de investimento ao longo dos anos exige que o leitor observe as diferenças de escopo, atualização de preços e contratos. Comparar apenas os valores de 2017 e 2026 sem considerar essas mudanças pode produzir uma interpretação incompleta.

Como a fala de Zema se relaciona com a campanha presidencial?

Zema deixou o governo de Minas Gerais em março de 2026 para disputar a Presidência da República. Desde então, utiliza resultados e projetos de sua administração estadual como parte de sua apresentação ao eleitorado nacional.

Ao visitar a ponte, o candidato associou sua imagem a três temas relevantes:

  1. infraestrutura;
  2. agronegócio;
  3. redução de custos econômicos.

O agro possui grande peso político e econômico em diferentes estados. Ao afirmar que o setor paga um preço caríssimo, Zema busca dialogar com produtores, transportadores, empresários e trabalhadores ligados à cadeia.

Entretanto, uma política nacional de infraestrutura exige mais que a conclusão de uma obra específica. Ela depende de orçamento, licenciamento, planejamento de longo prazo, participação do setor privado e coordenação entre União, estados e municípios.

Os eleitores devem comparar a declaração com propostas detalhadas sobre fontes de financiamento, prioridades, concessões, manutenção e integração entre modais.

O que deveria constar em uma política para reduzir os custos?

Uma estratégia nacional para diminuir os custos “da porteira para fora” pode reunir diferentes medidas.

Recuperação das rodovias

Antes de construir novas estradas, é necessário manter a malha existente. A conservação preventiva costuma evitar reparos mais caros no futuro.

Ampliação das ferrovias

Ferrovias podem reduzir custos no transporte de grãos, minérios e outras cargas de grande volume. Contudo, os projetos exigem investimentos elevados e anos de implantação.

Aproveitamento das hidrovias

O transporte pelos rios pode ser competitivo, mas depende de terminais, dragagem, sinalização e cuidados ambientais.

Expansão da armazenagem

Aumentar a capacidade de armazenamento permite ao produtor escolher melhor o momento de venda e reduz pressões durante a colheita.

Integração digital

Sistemas de rastreamento, documentos eletrônicos e plataformas logísticas ajudam a reduzir viagens vazias e melhorar o planejamento.

Avaliação de resultados

Cada obra deve possuir metas verificáveis, como redução do tempo de deslocamento, queda no custo do frete e aumento do fluxo comercial.

Conclusão

Romeu Zema afirmou que o agronegócio brasileiro paga um “preço caríssimo da porteira para fora” ao defender mais investimentos em infraestrutura durante uma visita à ponte entre Pintópolis e São Francisco.

A estrutura sobre o Rio São Francisco tem aproximadamente 1.120 metros e é considerada estratégica para reduzir o tempo de viagem, eliminar a dependência de balsas e facilitar o escoamento da produção no Norte de Minas.

A fala de Zema aponta um problema real de competitividade, mas não foi acompanhada de um cálculo único sobre o valor perdido pelos produtores. O impacto varia conforme a região, o produto e a rota utilizada.

Além disso, a ponte não resolverá sozinha os gargalos do setor. Seus benefícios dependerão da conclusão dos acessos, da manutenção das estradas e da integração com uma rede logística mais ampla.

Para avaliar a proposta de forma prática, o leitor deve acompanhar o cronograma, a execução financeira e os indicadores de transporte depois da entrega. Também é recomendável comparar os planos de infraestrutura apresentados pelos diferentes candidatos à Presidência.


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