Fim da taxa das blusinhas pode ser aprovado em 72 horas
Congresso planeja aprovar o fim da taxa das blusinhas em 72 horas. Entenda a votação, o prazo oficial, o limite de US$ 50 e a cobrança do ICMS.
Congresso prevê aprovar fim da taxa das blusinhas em 72 horas
O Congresso Nacional pretende analisar e aprovar a Medida Provisória nº 1.357/2026, que zerou temporariamente a chamada taxa das blusinhas, em um intervalo de aproximadamente 72 horas. A previsão é instalar a comissão mista na terça-feira, 1º de setembro, e concluir as votações na Câmara e no Senado até quinta-feira, dia 3.
O calendário acelerado foi discutido após uma reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente da Câmara, Hugo Motta, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, realizada em 26 de agosto no Palácio da Alvorada.
A taxa das blusinhas é o nome popular do Imposto de Importação federal de 20% que passou a incidir, em 2024, sobre compras internacionais de até US$ 50 realizadas por meio de plataformas participantes do Remessa Conforme.
Em maio de 2026, o governo publicou uma medida provisória zerando a alíquota. Como toda MP produz efeitos imediatos, a cobrança federal ficou suspensa antes mesmo da votação. Entretanto, o texto precisa receber a aprovação da Câmara e do Senado para se transformar definitivamente em lei.
O prazo de 72 horas citado pelo Congresso representa uma expectativa política de tramitação — e não uma garantia. A comissão mista ainda precisa ser instalada, o relator precisa apresentar um parecer e os plenários das duas Casas devem aprovar um texto comum.
Também é importante esclarecer que o fim da cobrança federal não elimina o ICMS estadual. Portanto, mesmo que a MP seja aprovada sem alterações, compras internacionais de pequeno valor continuarão sujeitas ao imposto cobrado pelos estados.
O que significa aprovar a medida em 72 horas
A previsão divulgada considera o período entre a instalação da comissão mista e a votação final no Senado.
Segundo a programação articulada pelas lideranças:
| Data prevista | Etapa |
|---|---|
| 1º de setembro, terça-feira | Instalação da comissão mista |
| 1º de setembro | Escolha de presidente e relator |
| 1º ou 2 de setembro | Apresentação e votação do parecer |
| 2 de setembro | Possível votação no plenário da Câmara |
| 3 de setembro | Possível votação no plenário do Senado |
| Após aprovação | Envio para promulgação ou sanção, conforme o texto aprovado |
A intenção de finalizar tudo em três dias foi noticiada pela CNN Brasil. No entanto, qualquer divergência sobre o relatório, apresentação de destaques ou falta de quórum poderá modificar esse calendário.
A semana de 31 de agosto a 4 de setembro será um período de esforço concentrado. Como deputados e senadores estão envolvidos nas campanhas das Eleições 2026, o Congresso reservou poucos dias para analisar matérias consideradas urgentes antes do primeiro turno.
Qual é o prazo oficial de validade da MP
Algumas reportagens recentes afirmam que a MP perderia a validade em 8 de setembro. Entretanto, a informação oficial disponível no Senado registra outra data.
A MP 1.357/2026 foi prorrogada por 60 dias em julho. De acordo com a Agência Senado, o Congresso tem até 24 de setembro de 2026 para concluir sua análise.
Essa divergência exige atenção editorial. Como o Senado é uma fonte institucional diretamente ligada à tramitação, a data de 24 de setembro deve ser considerada a referência oficial enquanto não houver atualização no sistema do Congresso.
Mesmo com um prazo formal mais longo, as lideranças pretendem votar o texto até 3 de setembro. A pressa está relacionada ao calendário eleitoral e à dificuldade de reunir parlamentares novamente antes do vencimento.
O que é a taxa das blusinhas
A expressão taxa das blusinhas surgiu para identificar a cobrança federal sobre compras internacionais de pequeno valor, especialmente as feitas em plataformas asiáticas de comércio eletrônico.
Apesar do apelido, o imposto não se limitava a roupas. A alíquota alcançava diversos produtos comprados no exterior, como:
- acessórios;
- eletrônicos;
- utensílios domésticos;
- calçados;
- itens de decoração;
- peças para equipamentos;
- material de papelaria;
- brinquedos permitidos pela legislação;
- componentes de informática.
A cobrança federal de 20% foi criada em 2024 para compras de até US$ 50 feitas no Remessa Conforme. Para remessas de valor superior, continuaram valendo regras próprias, com alíquota e parcela de dedução diferentes.
Como funcionava antes da MP 1.357/2026
Antes da entrada da nova medida provisória, uma compra internacional de até US$ 50 estava sujeita a dois tributos principais:
- Imposto de Importação federal de 20%;
- ICMS estadual.
O cálculo efetivo do ICMS pode ser feito “por dentro”, o que significa que sua incidência não corresponde necessariamente a uma simples multiplicação do preço pela alíquota nominal.
Além disso, o valor usado pela fiscalização pode considerar produto, frete, seguro e outros componentes previstos nas normas aplicáveis.
Situação geral antes e depois da MP
| Situação | Imposto federal | ICMS estadual |
|---|---|---|
| Antes da MP | 20% | Continua aplicável |
| Durante a vigência da MP | 0% até US$ 50 nas condições previstas | Continua aplicável |
| Se a MP for aprovada | Permanece zerado conforme o texto final | Continua aplicável |
| Se a MP perder validade | A cobrança federal poderá retornar | Continua aplicável |
Por isso, expressões como “compras sem imposto” podem induzir o consumidor ao erro. A medida trata especificamente do tributo federal.
O que prevê a MP 1.357/2026
A medida provisória alterou a tributação simplificada aplicada às remessas postais e encomendas internacionais.
Seu ponto de maior repercussão é a autorização para zerar o Imposto de Importação nas compras de até US$ 50, dentro das condições estabelecidas.
A medida beneficia principalmente compras feitas por pessoas físicas em plataformas integradas ao Remessa Conforme. Essas empresas informam antecipadamente os dados das encomendas e recolhem os tributos no momento da compra.
O objetivo declarado pelo governo é reduzir o custo para consumidores e revisar a cobrança aprovada em 2024.
A página oficial da Câmara dos Deputados confirma que a MP zerou temporariamente o imposto federal e que a comissão mista está prevista para ser instalada em 1º de setembro.
Como será a votação da taxa das blusinhas
Uma medida provisória precisa cumprir diferentes etapas no Congresso.
1. Instalação da comissão mista
A comissão será formada por deputados e senadores. O colegiado escolherá presidente e vice-presidente e terá um relator responsável por analisar o texto e as emendas.
Hugo Motta anunciou a indicação do deputado Reginaldo Lopes, do PT de Minas Gerais, para presidir a comissão.
A relatoria será indicada pelo Senado. Até a última atualização considerada neste artigo, o nome ainda estava em disputa.
2. Apresentação do parecer
O relator deverá analisar a proposta original e as emendas apresentadas pelos parlamentares.
Ele poderá:
- recomendar a aprovação integral;
- rejeitar a medida;
- apresentar mudanças;
- incorporar algumas emendas;
- propor um projeto de lei de conversão.
Se houver alterações, o texto final poderá ser diferente daquele editado inicialmente pelo governo.
3. Votação na comissão
O parecer precisa ser aprovado pela comissão mista. Como o calendário é curto, as lideranças deverão tentar reduzir o tempo de debates e resolver divergências antecipadamente.
4. Análise pela Câmara
Depois da comissão, a matéria segue para o plenário da Câmara. Os deputados podem aprovar, rejeitar ou modificar o texto.
Pedidos de destaque permitem votar partes específicas separadamente, o que pode prolongar a sessão.
5. Votação no Senado
Se passar na Câmara, a MP segue ao Senado. Para cumprir o prazo de 72 horas, os senadores precisariam analisar a matéria praticamente de forma imediata.
Se o Senado modificar o texto aprovado pelos deputados, poderá ser necessária nova manifestação da Câmara.
6. Transformação em lei
Caso o Congresso aprove o texto original da medida, a tramitação final pode ser mais simples. Se houver um projeto de lei de conversão com alterações, o texto normalmente segue para sanção ou veto presidencial.
O que Hugo Motta disse sobre a votação
Após a reunião no Palácio da Alvorada, Hugo Motta anunciou que o Congresso deveria votar a MP na semana seguinte.
Segundo o presidente da Câmara, o fim do tributo representa uma demanda dos consumidores e pode reduzir o custo de milhões de compras realizadas pela internet.
Motta também argumentou que empresas brasileiras utilizam plataformas digitais para comercializar produtos, o que ampliaria os possíveis efeitos da medida.
A declaração e a indicação de Reginaldo Lopes para comandar a comissão foram confirmadas pela Agência Câmara.
Apesar do apoio declarado das cúpulas da Câmara e do Senado, a votação ainda poderá enfrentar resistência de setores da indústria, do varejo nacional e de parlamentares que defendem tratamento tributário equivalente entre produtos brasileiros e estrangeiros.
Por que parte da indústria é contra o fim da taxa
Entidades empresariais defendem que a cobrança ajuda a equilibrar a concorrência entre empresas brasileiras e plataformas estrangeiras.
Segundo esse argumento, fabricantes e varejistas nacionais arcam com tributos, encargos trabalhistas, custos logísticos e obrigações regulatórias que nem sempre são suportados da mesma maneira por vendedores localizados no exterior.
As entidades contrárias à isenção apontam possíveis riscos:
- aumento das importações de pequeno valor;
- perda de vendas do varejo nacional;
- redução da produção interna;
- pressão sobre empregos;
- queda na arrecadação;
- concorrência com produtos que seguem padrões diferentes;
- uso indevido do limite de US$ 50 para dividir encomendas.
Estimativas divulgadas por organizações empresariais devem ser apresentadas como projeções das próprias entidades, e não como consequências garantidas. Os impactos reais dependem do comportamento do consumidor, do câmbio, dos preços, da fiscalização e da reação das empresas brasileiras.
Quais são os argumentos favoráveis à isenção
Defensores do fim da taxa das blusinhas afirmam que a medida reduz preços e amplia o acesso de consumidores a produtos que podem ser mais caros ou difíceis de encontrar no mercado nacional.
Entre os principais argumentos estão:
- redução do custo final;
- maior poder de escolha;
- acesso a peças e componentes específicos;
- estímulo à concorrência;
- benefício para famílias de menor renda;
- simplificação das compras internacionais;
- incentivo para que empresas nacionais melhorem preços e variedade.
Mesmo assim, a economia não é igual ao valor integral dos 20%. O ICMS continua incidindo, e o preço final também depende do câmbio, do frete e das políticas comerciais das plataformas.
Consumidor receberá de volta imposto já pago?
Em princípio, a aprovação definitiva da MP não cria automaticamente um direito geral à devolução do imposto recolhido antes de sua vigência.
As compras realizadas durante períodos diferentes seguem as regras válidas no momento do fato gerador e do processamento da importação.
Se uma plataforma cobrar o tributo federal indevidamente durante a vigência da alíquota zero, o consumidor deverá procurar os canais de atendimento da empresa e verificar o detalhamento fiscal do pedido.
É recomendável guardar:
- comprovante da compra;
- descrição dos tributos;
- nota ou declaração da remessa;
- data do pagamento;
- código de rastreamento;
- conversas com o suporte.
Casos individuais podem depender da forma de cobrança e da situação aduaneira da encomenda.
Compras acima de US$ 50 também serão isentas?
A proposta de maior repercussão concentra-se nas remessas de até US$ 50 realizadas dentro das condições previstas.
Compras acima desse valor não ficam automaticamente isentas. Elas continuam sujeitas às regras aplicáveis à respectiva faixa, incluindo Imposto de Importação, ICMS e eventuais ajustes previstos no texto definitivo.
O consumidor também deve evitar interpretar o limite como uma autorização para dividir artificialmente uma compra em várias encomendas. A Receita Federal pode analisar remessas relacionadas e aplicar as normas aduaneiras quando identificar irregularidades.
Plataformas fora do Remessa Conforme entram na regra?
O tratamento tributário mais favorável está associado ao cumprimento das condições legais e ao fornecimento antecipado de informações à Receita Federal.
Plataformas participantes do Remessa Conforme exibem os tributos no fechamento do pedido e enviam dados da encomenda antes de sua chegada ao país.
Compras realizadas fora desse sistema podem receber tratamento diferente na fiscalização. Por isso, o consumidor deve verificar:
- se a plataforma participa do programa;
- se o vendedor está incluído na operação;
- quais tributos aparecem no checkout;
- se o valor declarado corresponde ao valor real;
- se frete e demais custos foram considerados.
O fato de uma loja ser conhecida internacionalmente não garante que todas as suas vendas ou vendedores estejam submetidos exatamente ao mesmo procedimento.
O ICMS continuará sendo cobrado
Mesmo com a aprovação da MP, o ICMS permanece.
A cobrança estadual é independente do Imposto de Importação federal. Alguns estados passaram a utilizar alíquota nominal de 20%, enquanto outros mantiveram percentual diferente.
Como o imposto pode ser calculado por dentro, o impacto sobre o preço final pode superar uma aplicação simples da alíquota nominal sobre o valor da mercadoria.
Exemplo apenas ilustrativo
Considere uma compra com produto e frete totalizando R$ 200. Com o imposto federal zerado, esse tributo não seria acrescentado dentro das condições da MP.
Entretanto, o ICMS ainda seria calculado conforme a regra do estado de destino. O valor final não deve ser estimado apenas multiplicando R$ 200 por 17% ou 20%, pois a fórmula tributária pode incluir o próprio imposto em sua base.
O valor exibido pela plataforma participante do Remessa Conforme é a referência mais prática antes da confirmação da compra.
O que pode impedir a aprovação em 72 horas
O acordo entre Lula, Motta e Alcolumbre aumenta a chance de uma votação rápida, mas não elimina obstáculos.
Entre os possíveis fatores de atraso estão:
- disputa pela relatoria;
- demora na apresentação do parecer;
- grande quantidade de emendas;
- pedidos de vista;
- falta de quórum;
- obstrução da oposição;
- divergências entre Câmara e Senado;
- pressão de entidades empresariais;
- inclusão de temas sem relação direta com a MP;
- apresentação de destaques;
- alteração do texto por uma das Casas.
Se o calendário de 72 horas não for cumprido, a medida ainda poderá ser analisada antes do prazo oficial registrado pelo Senado, em 24 de setembro. Porém, uma nova reunião do Congresso durante a campanha poderá ser politicamente mais difícil.
Por que a votação ocorre perto das eleições
O fim da taxa das blusinhas tem apelo direto entre consumidores e ganhou espaço na campanha eleitoral.
O governo tenta apresentar a medida como redução de imposto e alívio no custo das compras. A oposição e parte da indústria procuram destacar possíveis impactos sobre empregos, empresas e produção nacional.
A proximidade do primeiro turno aumenta a pressão sobre deputados e senadores. Parlamentares precisam avaliar tanto o mérito econômico quanto a reação dos eleitores e de setores organizados.
Essa dimensão eleitoral não invalida o debate, mas exige transparência. O texto deve ser avaliado com dados sobre arrecadação, consumo, concorrência e efeitos sobre o mercado de trabalho.
Vantagens, desvantagens e limitações
Possíveis vantagens
- redução do custo de compras de até US$ 50;
- aumento do poder de escolha do consumidor;
- acesso a produtos e peças específicos;
- maior concorrência no comércio eletrônico;
- estímulo à digitalização do varejo;
- manutenção de regras simplificadas no Remessa Conforme.
Possíveis desvantagens
- pressão competitiva sobre fabricantes brasileiros;
- possível perda de arrecadação federal;
- incentivo ao consumo de produtos importados;
- dificuldades de fiscalização;
- risco de divisão artificial de encomendas;
- impactos diferentes entre setores econômicos.
Limitações da medida
- ICMS continua sendo cobrado;
- compras acima de US$ 50 não recebem a mesma isenção;
- aprovação em 72 horas não está garantida;
- o texto pode ser alterado;
- plataformas fora do programa podem seguir regras distintas;
- preço final ainda depende de câmbio e frete.
O que o consumidor deve fazer agora
Não é necessário esperar a votação para descobrir se uma compra possui imposto federal. A MP já está em vigor e zerou temporariamente a alíquota dentro das condições estabelecidas.
Antes de finalizar um pedido:
- confira se a plataforma participa do Remessa Conforme;
- verifique o valor total da mercadoria e do frete;
- observe a discriminação dos tributos;
- confirme se o Imposto de Importação federal aparece zerado;
- verifique o ICMS cobrado;
- guarde o comprovante;
- acompanhe a tramitação oficial da MP;
- evite tomar decisões com base apenas em anúncios políticos.
Também é recomendável comparar o preço final com lojas brasileiras. Garantia, prazo de entrega, possibilidade de devolução e atendimento podem compensar diferenças de preço.
Conclusão
O Congresso pretende concluir em 72 horas a análise da MP 1.357/2026, que zerou temporariamente a taxa das blusinhas para compras internacionais de até US$ 50 dentro das condições do Remessa Conforme.
A comissão mista deve ser instalada em 1º de setembro, seguida pelas votações na Câmara e no Senado até o dia 3. O calendário foi articulado por Lula, Hugo Motta e Davi Alcolumbre.
Apesar da expectativa, a aprovação não está garantida. O texto pode receber emendas, enfrentar obstrução ou sofrer mudanças durante sua tramitação.
Também existe uma divergência relevante nas informações sobre o vencimento. Enquanto algumas reportagens mencionam 8 de setembro, a Agência Senado informa oficialmente que a MP foi prorrogada e pode ser analisada até 24 de setembro de 2026.
Se aprovada, a alíquota federal de 20% permanecerá zerada conforme o texto final. O ICMS estadual, contudo, continuará sendo cobrado.